quinta-feira, 26 de setembro de 2013

terça-feira, 5 de março de 2013

Felicidade...


Felicidade!
Tenho aprendido com o tempo, que a felicidade vibra na frequência das coisas mais simples.
Que o que amacia a vida, acende o riso, convida a alma pra brincar, 
são essas imensas coisas pequeninas bordadas com fios de luz no tecido áspero do cotidiano.
Como o toque bom do sol quando pousa na pele.
A solidão que é encontro. O café da manhã com pão quentinho e sonho compartilhado.
A lua quando o olhar é grande.
A doçura contente de um cafuné sem pressa.
O trabalho que nos erotiza.
Os instantes em que repousamos os olhos em olhos amados.
O poema que parece que fomos nós que escrevemos.
A força da areia molhada sob os pés descalços.
O sono relaxado que põe tudo pra dormir.
A presença da intimidade legítima.
A música que nos faz subir de oitava.
A delicadeza desenhada de improviso.
O banho bom que reinventa o corpo.
O cheiro de terra.
O cheiro de chuva.
O cheiro do tempero do feijão da infância.
O cheiro de quem se gosta.
O acorde daquela risada que acorda tudo na gente.
Essas coisas. Outras coisas. Todas, simples assim.
(Ana Jácomo)

Amor é Fogo...



Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade
É servir a quem vence o vencedor,
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade;
Se tão contrário a si é o mesmo amor?
(Luís de Camões)

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Me sinto fora do enredo, no contexto, fora do eixo. Às vezes não estou indo, apenas sendo levada. Muitas outras eu não quero ficar, mas também não vou. Tantas vezes eu quis oito, mas depois oitenta. Eu gosto do dia, mas a noite me encanta. Sou duque, par, dupla. Nunca sou unitária quando se trata de mim. Sou sempre certa e errada, sou sempre doce e grossa. Sou agridoce, como ouvi por aí. Eu não sei ao certo quando quero e por que quero. Mas quando eu quiser você, por favor me queira, não costumo querer de novo. Tenho sempre duas escolhas, e vou sempre escolher o inconveniente e o nada sociável. Eu sou das paredes do meu quarto, elas me cercam, me protegem, me entendem. Mas também sou cúmplice da porta. Uma hora estarei contando minhas dores aos tijolos do meu quadrado, mas haverá o momento em que vou sair por aquela porta, e um dos meus caminhos vai me guiar. Sou forte demais pra não voltar atrás, sou fraca demais pra seguir em frente. Sou esse misto de sim e não, de por que e porém. Eu nunca me entendi, e não espero que um dia alguém consiga entender. Sou indecifrável, sou ferida aberta e coração amargo. Quem vive em mim, luta pra sobreviver. Já quem não vive, passa longe, pois tem medo de morrer.
(aut.desconhecido)

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